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O Trauma não está no que aconteceu: Entenda a ressignificação do trauma

  • Foto do escritor: felipeataide
    felipeataide
  • 25 de abr.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 24 de mai.

Porta de pedra antiga entreaberta em muro de pedra desgastada com fino fio de luz quente escapando pela fresta em fundo escuro.
O trauma não é o que aconteceu. É o que o organismo ainda carrega depois que o evento terminou.

Hoje em dia, com a popularização da palavra trauma, muitas pessoas confundem qualquer sofrimento ou evento difícil como trauma. Mas o trauma tem uma assinatura muito específica. Ele não é o acidente, a perda ou a violência que você viveu. O trauma é a resposta que o seu corpo não conseguiu finalizar. É a carga de sobrevivência que ficou retida como memória implícita. É o passado que insiste em continuar presente na sua vida.


Imagine o trauma como um alarme de incêndio que disparou durante uma emergência real, mas que, mesmo depois que as chamas foram apagadas, continua tocando. O perigo passou, mas o seu corpo ainda não recebeu o aviso de que a ameaça cessou.


Por que só entender não resolve


Muitas pessoas passam anos tentando decifrar seus traumas pela lógica. Elas sabem exatamente quando começou, quem fez o quê e por que se sentem assim. No entanto, o corpo continua reagindo. Elas sentem o nó na garganta, o aperto no peito ou aquele desligamento emocional que as faz parecerem estrangeiras na própria vida.


Isso acontece porque o trauma mora no corpo e não apenas no pensamento. Existe uma ressignificação do trauma que acontece na mente, quando damos um novo sentido à nossa história e a terapia favorece muito isso. Contudo, existe outro tipo de ressignificação do trauma, que é aquela que precisa acontecer na nossa neuroquímica corporal. Se o seu sistema nervoso ainda está preso no modo de sobrevivência, nenhuma explicação intelectual será capaz de trazer paz.


Pense em quando uma pessoa está nervosa e alguém diz para ela: “Fique calma.” Adianta alguma coisa? É claro que não. Isso ocorre porque o comando racional não alcança as camadas profundas onde o trauma está ancorado. É preciso ensinar ao corpo, através das sensações e da autorregulação, que é possível retornar a um estado de segurança.


Transformar peso em sabedoria (A verdadeira ressignificação do trauma)


O objetivo de todo processo terapêutico sério não é apagar o que aconteceu. Não existe uma borracha para o passado. O objetivo é transformar o significado dessa dor.

Ressignificar não é fingir que o que foi ruim foi bom. É garantir que aquele evento deixe de ser o dono da sua história. Quando paramos de apenas sobrevida e começamos a integrar o que vivemos, a dor deixa de ser um peso estático e se transforma em sabedoria. Para chegar nesse lugar é necessária a integração entre os dois tipos de ressignificação: cognitiva (intelectual) e química (corporal).


A liberdade emocional surge quando você consegue olhar para a sua cicatriz e perceber que, embora ela conte onde você foi ferida, ela não dita mais para onde você pode ir. A vida volta a ser possível, não porque o passado mudou, mas porque o seu corpo finalmente descarregou a tensão acumulada e deixou aquele peso para trás, de verdade.


Felipe Ataíde, psicólogo clínico (CRP 04/20784), especializado em trauma com abordagem somática e integrativa. Atende em Belo Horizonte e online.

Se você reconhece esses padrões de alerta constante em si mesma e percebe que o seu corpo ainda vive o ontem como se fosse agora, o próximo passo pode ser uma avaliação clínica especializada. Atendo em Belo Horizonte e online.


FAQ

Por que entender o trauma intelectualmente não resolve o sofrimento?

O trauma é registrado na memória procedimental, que opera abaixo do alcance do raciocínio consciente. O sistema nervoso autônomo não responde a argumentos lógicos; responde a experiências somáticas de segurança. Compreender o que aconteceu organiza a narrativa, mas não altera a resposta biológica retida no corpo.


O que significa integrar um trauma?

Integrar é oferecer ao organismo as condições para finalizar a resposta de sobrevivência que ficou incompleta. Não se trata de apagar o evento nem de construir uma narrativa positiva sobre ele, mas de permitir que o sistema nervoso descarregue a tensão acumulada e aprenda, a partir da experiência, que o perigo passou.


Bibliografia

LEVINE, Peter A. O despertar do tigre: curando o trauma. São Paulo: Summus, 2012.

VAN DER KOLK, Bessel. O corpo guarda as marcas: cérebro, mente e corpo na cura do trauma. São Paulo: Sextante, 2020.

PORGES, Stephen W. A teoria polivagal: fundamentos neurofisiológicos das emoções, do apego, da comunicação e da autorregulação. Porto Alegre: Artmed, 2017.


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Felipe Ataíde - Psicólogo Clínico - CRP 04/20784

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